Eram duas crianças a brincar na praia, na manhã
plena de sol.
Tinham em torno de três anos e os olhos atentos das mães
as vigiavam.
As meninas iam e vinham da beira do mar carregando água em
seus baldinhos, construindo formas na areia.
Em certo momento, uma bola
entrou na brincadeira. Ambas a queriam e cada qual segurou com mais força,
tentando tirá-la da outra.
Finalmente, Stéphanie bateu forte no rosto de
Nadine e tomou a bola para si.
De imediato, as mães se aproximaram. Uma,
repreendendo a filha pelo mau comportamento e insistindo que ela pedisse
desculpas.
A outra consolando com carícias a agredida, que fazia carinha
de choro.
Mas não passou muito tempo e lá estavam as duas novamente na
areia.
Nadine, a menina que sofrera a agressão, foi a primeira a
recomeçar a brincadeira. Com sua naturalidade infantil, se aproximou da
outra, abaixou a cabecinha, olhou-a no rosto e perguntou:
/Você ainda está
muito brava comigo?/
Antes que a resposta saísse dos lábios de Stéphanie,
lançou outra pergunta:
/Quer brincar comigo?/
E brincaram até a noite
estender seu manto de estrelas e luar sobre a Terra.
* * *
Bom seria se
fôssemos como essas crianças, capazes de perdoar, esquecer e prosseguir
juntos.
Quantas vezes criamos problemas graves, de larga duração,
somente pelo fato de não cedermos um milímetro do próprio orgulho.
Quantos
casais têm conturbado o seu relacionamento porque um não deseja perdoar o
outro pela palavra agressiva, pelo gesto infeliz de grosseria.
Muita vez,
o cônjuge agressor tenta se redimir. Por sentir dificuldades de se achegar e
pedir desculpas, envia flores com um bilhete, um cartão.
Mas, em vez de
receber o que esperava, tem devolvidos o ramalhete e o recado.
Persistindo
a má vontade de um, a indelicadeza do outro, desfaz-se um compromisso
afetivo, gerando sérias consequências.
Amizades de longos anos esmorecem por
coisa nenhuma. E bastaria tão pouco.
Bastaria que voltássemos à capacidade
da nossa infância, quando esquecíamos à tarde a desfeita que nos fora
dirigida pela manhã.
* * *
Você sabia que perdoar consiste em dar
oportunidade a quem ofendeu de se redimir?
Que o exercício do perdão exige
uma boa dose de humildade e de altruísmo?
Todos precisamos que nos perdoem
pelas faltas de todos os dias, pelo nervosismo das respostas, pelas críticas
irônicas, pelo descaso e a indiferença.
Por essa razão foi que Jesus
recomendou o perdão incondicional das ofensas pois também precisamos do
perdão do nosso próximo.
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