Cristiane Moura - Psicopedagoga e Educadora
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segunda-feira, 11 de junho de 2012
SEU FILHO MERECE UM NÃO
Um adolescente que pode tudo: ficar
na Internet o tempo que quiser, aparecer na sala com 15 tatuagens sem chocar
ninguém, voltar para casa a hora que bem entende, dormir com a namorada, que
vai acordar de camisolinha e te chamar de “tia” no café da manhã, e até fumar
maconha, desde que seja em casa. Pobre dessa velha criança: contra que
ela vai lutar, se tudo lhe foi permitido?
Se você acha normal uma menina de 12
anos usar um monte de pulseiras coloridas que, arrebentadas, a obrigam a dar um
beijo ou transar, é bom parar de ler esta página. Porque é evidente que ela não
tem discernimento algum sobre essa brincadeira inconsequente. E, se tiver, como vai dizer não ao coleguinha? Você se lembra bem de
como era duro ser adolescente e ficar de fora da brincadeira da moda,
arriscando ser tratada como lixo pela “turma”. Então é melhor mesmo generalizar
e proibir essa infâmia.
Muitos pais, depois de ler vários
manuais de bobagens, têm medo de dizer não aos filhos por medo de cercear sua
individualidade e criar adultos reprimidos, como aprendeu a geração 70, filhos
da ditadura e dos divãs dos psicanalistas. Diante do meu espanto com as paredes
de sua sala de estar completamente imunda e pichada, uma conhecida disparou: “A
Pituquinha é muito artística e a psicóloga disse que não deveríamos proibi-la
de pintar nada para não inibir sua criatividade”. Será que a mãe de Monet o
deixava pintar a sala de casa e não o obrigava a guardar direitinho os pincéis
na caixa em que os encontrou?
Não que eu defenda os pais tiranos,
longe de mim. Tem gente que flerta com a loucura ao proibir tudo: dormir na
casa do amiguinho, usar um pé de tênis diferente do outro, ir para a matinê com
todos os colegas. Mas é preciso saber dosar: não há o menor problema em querer conhecer os pais do amiguinho que
vai hospedar seu filho, exigir que ele telefone de vez em quando, vesti-lo e
penteá-lo apropriadamente para ir ao colégio (até porque, no futuro, seu chefe
não gostará de vê-lo com um pé de cada cor), buscá-lo na matinê para ver que
turma é aquela — e fuxicar sempre o Facebook dele, lógico.
E, se um dia, seu filho contestar uma
regra imposta — e ele há de contestá-la, pode aguardar — para certas
perguntas ainda não inventaram resposta melhor do que “não porque não; a casa é
minha, que eu pago as conta e aqui mando eu”. Como era bom o tempo em que
nossos pais gritavam para apagar as luzes porque eles não eram sócios da Light.
Ou quando ameaçavam nos colocar para fora de casa se não chegássemos na hora
determinada. No futuro, quando seu filho for confrontado a uma situação cuja
solução depende de disciplina, você será lembrado não apenas pelo que lhe deu,
mas pelo que lhe negou.
Uma criança familiarizada aos limites
tem grandes chances de ser um adulto consciente de que o mundo não lhe deve
nada; que é preciso correr atrás para conquistar aquilo que se deseja; que sua
liberdade termina onde começa a do outro; e que o outro não é obrigado a ceder a seus
caprichos e vontades.
Também saberá que ninguém é de
ninguém; que as pessoas que entram em sua vida não fazem parte de uma corte
pronta para servi-lo; que ele não tem controle sobre todas as coisas e sobre os
sentimentos alheios; e que, por mais que seja traído ou enganado, não pode sair
por aí fazendo — literalmente — picadinho de seres humanos. Está aí
outra educação negligenciada, a emocional. Nesse mundo novo de relacionamentos
frágeis, em que um casamento pode durar dez anos ou dez dias, em que se pede um
divórcio como se vai à feira, uma criança deve também ser iniciada na arte
do desapego
afetivo, porque só quem recebeu muito não na
vida é capaz desuperar
uma desilusão amorosa e estar pronto para outra.
Na educação das crianças, é preciso
bom senso, como em tudo na vida. E estabelecer regras claras, explicando por
que os limites
existem e, obviamente, punindo quando
eles são rompidos. Porque a vida é duríssima e todo mundo um dia acaba pagando
por suas faltas — menos os políticos, é claro.
10 DE JUNHO DE 2012 | 12:00 | CRÔNICA |
http://colunas.revistaepoca.globo.com/brunoastuto/2012/06/10/seu-filho-merece-um-nao/
O Universo é uma imensa livraria
A Terra é apenas uma de suas estantes.
Somos os livros colocados nela.
Da mesma maneira que as pessoas compram livros, apenas pela beleza da capa, sem pesquisarem o índice e conteúdo do mesmo, muitas pessoas avaliam os outros pela aparência externa, pela capa física, sem considerarem a parte interna.
Outras procuram livros com títulos bombásticos, sensacionalistas histórias de terror ou romances profundos.
Também é assim com as pessoas:
há aquelas que buscam sensacionalismos baratos, dramas alheios ou apenas um romance.
Somos homens-livros lendo uns aos outros.
Podemos ficar só na capa ou aprofundarmos nossa leitura até as páginas vivas do coração.
A capa pode ser interessante, mas é no conteúdo que brilha a essência do texto.
O corpo pode ter uma bela plástica, mas é o espírito que dá brilho aos olhos.
Também podemos ler nas páginas experientes da vida, muitos textos de sabedoria.
Depende do que estamos buscando na estante.
Podemos ver em cada homem-livro um texto-espírito impresso nas linhas do corpo.
Deus colocou sua assinatura divina ali, nas páginas do coração, mas só quem lê o interior descobre isso.
Só quem vence a ilusão da capa e mergulha nas páginas da vida íntima de alguém, descobre seu real valor, humano e espiritual.
Que todos nós possamos ser bons leitores conscientes.
Que nas páginas de nossos corações, possamos ler uma história de amor profundo.
Que em nossos espíritos possamos ler uma história imortal.
E que, sendo homens-livros, nós possamos ser leitura interessante e criativa nas várias estantes da livraria-universo.
A capa amassa e as folhas podem rasgar.
Mas, ninguém amassa ou rasga as idéias e sentimentos de uma consciência imortal.
O que não foi bem escrito em uma vida, poderá ser bem escrito mais à frente, em uma próxima existência ou além.
Mas, com toda certeza, será publicado pela editora da vida, na estante terrestre...
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